Encontrou-se com o poeta.nao escondeu sua frágil aparência.
Borges,o poeta cego,sentado em sua cadeira de rodas deslizava aflicçoes pelo olho esquerdo:torto,desconfiado das suas sombras.
Sorriu acanhado ao ouvir a voz amistosa.O relógio da estação bateu as mesmas horas que Borges adivinhava ser luzente ainda que mergulhado em trevas.
Aquelas batidas certAS(nada espontâneas)fabricava em sua mente imagens do poema de Dantes.Relogio do portal do céu?do inferno?do purgatório.Seria?
Riu de si,estava ficando velho,pensou,pois se é velho quando se teme a morte!
Estendeu a mao.Queria tocar a mão do amigo.Mas ele já havia partindo no som das últimas horas.O poeta escureceu .
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Riu do seu momento.havia ali um gozo de volúpia ensandecida.
Sabia ver por entre as sombras.Riu da sua capacidade.A semente ainda não sabia do seu próprio fruto! Riu das incertezas.Riu tanto de si que se engasgou na propria folia de se saber...tolo
Mambembes passaram com suas velhas fanfarras e o saudaram.Deu um aceno gaiato.Nao podia se conter e ria..ria e mais ria de si e das bobagens do mundo.Chorar?nao! estava muito lúcido para isso!
Escrito por trisy às 18h42
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